Chapter nine.


Joseph levou-a ao mesmo restaurante em que havia ido com Logan. Ela usava um vestido cinza e deixara os cabelos soltos, e ele havia elogiado sua elegância.
Mesmo que houvesse mentido, era maravilhoso estar com ele, sentindo seu braço protetor sobre os ombros.
Joe usava calça e paletó escuros, e a camisa branca realçava ainda mais os cabelos negros. Demi não se cansava de admirá-lo, e duvidava que pudesse existir homem mais bonito no mundo. Sentaram-se e, ao olhar para uma das mesas mais próximas, Demetria deixou de sorrir e sentiu o sangue gelar nas veias. Ashley estava sentada sozinha, e mantinha os olhos fixos em Joseph. Notando a mudança de expressão, ele virou-se e encontrou a razão de sua palidez.
— Acho melhor ter uma palavrinha com ela — disse. — Volto num minuto.
Ao vê-lo aproximar-se, Ashley exibiu um sorriso radiante. Usava um vestido negro de corte simples e elegante, e Demi sentiu-se subitamente horrível ao ver aquela mulher esguia e sofisticada. Não conseguia tirar os olhos deles. Pareciam tão perfeitos juntos, que de repente sentiu-se culpada por não ter impedido aquele casamento, quando ele já tinha alguém muito melhor. Ela era só uma garota simples, sem sofisticação, uma caipira que não sabia sequer escolher a roupa adequada para um local como aquele. Seria uma eterna decepção para um homem como Joseph, habituado à riqueza e à vida social. De repente o sorriso de Ashley desapareceu. Com expressão tensa, ela cravou os olhos em Demetria e. inconsolável, começou a chorar. Joseph a fez levantar-se, passou um braço por sobre seus ombros e levou-a para fora do restaurante. Era óbvio que havia contado sobre o casamento.
Teria revelado as circunstâncias em que acontecera, ou estaria fingindo ter se casado por opção? Iria levá-la para casa, ou apenas chamar um táxi? Dez minutos depois, compreendeu que ele havia ido levá-la em casa, certamente para confortá-la. Talvez mais que isso.
O garçom aproximou-se e ela pediu uma salada, pois havia perdido o apetite. Estava terminando de comer, quando Joseph voltou e sentou-se, o rosto indecifrável.
—Ela está bem? — Demi perguntou.
—Não muito, mas vai melhorar. Eu devia ter contado sobre o casamento em
outro lugar, mas não esperava uma reação tão intensa.
—Vocês saíram juntos durante muito tempo, e é normal que ela tenha alimentado esperanças.
Joe odiava cenas, porque despertavam lembranças de uma época terrível em que Taylor estragava todas as festas.
Irritado, comentou:
— As mulheres sempre têm esperanças. A diferença é que nem todas têm a sorte de encontrar um homem bêbado perto de uma capela mexicana.
Demetria fechou os olhos e respirou fundo. Apesar do desejo que sentia, Joseph sempre abrigaria ressentimentos por ter assinado a certidão de casamento sem saber o que fazia. Nunca a deixaria esquecer que casara-se enganado, e por isso jamais haveria um futuro feliz para ambos. Sem encará-lo, respondeu com tom amargo:
—Eu não chamaria isso de sorte.
—Posso dizer o mesmo.
O garçom aproximou-se e Joe pediu filé com salada. Depois tomou um gole do uísque que pedira antes e olhou para Demetria. Sabia que a culpa não era dela, mas estava furioso com a encenação dramática de Ashley e com o conformismo de Demi.
Queria brigar, mas ela não aceitava suas provocações.
 —Não tem nada a dizer? — insistiu. — O que gostaria de ouvir? — e segurou o copo com força num gesto significativo. — Se preferir, posso demonstrar o que estou sentindo através de um movimento bem simples.
—Vá em frente. Por que não atira esse copo em mim?
Ela olhou em volta, examinou o ambiente requintado e decidiu controlar-se. Havia uma infinidade de objetos valiosos sobre as mesas e, com a sorte que estava, acabaria atingindo um deles e contraindo uma dívida eterna.
— Sabe que a culpa não é minha — disse em voz baixa. — Foi você quem ameaçou destruir aquele bar mexicano a tiros.
—Eu não estava armado.
—E como queria que eu soubesse? Papai havia dito que você possuía uma arma, e eu não sabia se ela estava em seu bolso. Queria que eu o revistasse?
— Imagine se ia por suas mãos ingênuas no corpo de um homem!
—Pare com isso!
—Você é uma garotinha boba! Não sabe beijar, abraçar, tem medo de tocar um homem...
—Chega! — explodiu, olhando para as mesas mais próximas. — Alguém pode ouvir. —E daí? Somos casados... até que a morte nos separe.
—Nesse caso — ela respondeu com sarcasmo — é melhor verificar sua cama ames de deitar, querido, porque eu posso deixar uma surpresa para você.
— Um dos peões do rancho já fez isso no dia em que eu cheguei.
—O quê? Puseram alguma coisa em sua cama?
— Uma cobra. Haviam arrancado os dentes da pobrezinha, mas a experiência foi horrível.
—E o que você fez?
—Não ouviu o tiro?
—Atirou numa cobra?
—Furei sua cabeça, o colchão e o piso do alojamento.
—Que coisa horrorosa!
— Você quase desmaiou quando uma delas passou perto do seu pé, lembra- se? Foi no mês passado...
—Eu não disse que gosto delas. Só acho terrível matar um ser vivo por nada. Ela nem tinha dentes!
— Mas eu não sabia.
—Ah! Isso muda as coisas...
O garçom trouxe a refeição e ele comeu em silêncio, observando a expressão distraída de Demi. Parecia deprimida, e agora sentia-se mal por tê-la atacado sem razão.
Depois de alguns instantes. Demetria comentou:
—Ashley ficou furiosa...
—Você nem imagina o que ela disse quando eu contei sobre o casamento.
—Aposto que aconselhou uma anulação.
—Eu disse que não podemos anular o casamento.
—E por que não? Nós ainda não... — e parou envergonhada.
— Eu sei que não — Josph sorriu. — Mas você vai dormir comigo antes do que imagina, porque está ardendo de desejo... como eu.
Era verdade, mas não podia admitir. Desejando mudar de assunto, desviou os olhos e perguntou:
— Sua esposa o amava muito, não?
—Amava o meu dinheiro, como todas as outras que conheci depois dela... incluindo Asley.
—Ashley sabia sobre a fortuna de sua família?
Ele afirmou com a cabeça e explicou:
—Nós temos um amigo em comum. Como vê, não era paixão que ela sentia por mim. Gostava de passear e freqüentar lugares requintados, mas logo vai encontrar alguém para me substituir.
—Acredita mesmo no que está dizendo?
—Em cada palavra. Taylor também casou-se comigo pelo que eu tinha, e uma vez ela disse que não suportaria viver com um homem que tivesse de trabalhar duro para sustentar a família. Era bonita, desejável, mas eu descobri que o casamento havia sido um engano muito antes do acidente.
—Mas ficou deprimido quando ela morreu.
— É claro que sim. Mas o que realmente me fez sofrer foi descobrir que havia perdido meu filho. Se soubesse que Taylor estava grávida, não teria permitido que entrasse naquele barco. Ela era ciumenta, e ficou maluca quando soube que havia uma mulher no grupo.
—Ela não sabia que você é o tipo de homem que respeita um casamento?
— Se acredita nisso, porque me olhou com aquele ar de acusação quando eu voltei, depois de levar Ashley para casa?
— Há uma grande diferença entre um casamento desejado e outro, provocado pela tequila. Você não me escolheu, Joseph! Isso não vai dar certo...
—É claro que vai. Ainda estamos na fase de adaptação, só isso. Até pouco tempo atrás, eu pensava em você como uma garota levada e meio moleque, a filha querida de Eddie Lovato.
Então era isso. Sabia que ainda agia como um garoto, mas estava além de sua capacidade fingir uma sofisticação que não tinha.
—Ou sua babá — murmurou, forçando um sorriso. — Foi o que você disse em Juarez, quando decidiu que íamos nos casar.
—Você sempre cuidou de mim, Demi, e eu nunca pensei em nós de uma maneira mais... física. Quando descobrimos essa atração, naquela manhã em que seu pai nos interrompeu na cozinha, fiquei tão chocado quanto você. Se as coisas houvessem acontecido naturalmente, não teriam me afetado da mesma forma.
—Elas jamais aconteceriam naturalmente, e você sabe disso. Nunca, nem em um milhão de anos, teria pensado em se casar com alguém como eu. Na verdade, se toda essa confusão não houvesse acontecido, você acabaria se casando com Ashley.
—Não ouviu uma palavra do que eu disse sobre ela, ouviu? — perguntou irritado.
— Eu não sou nenhuma idiota. Ashley está apaixonada de verdade, e você tem mais coisas a oferecer à uma mulher do que a carteira.
—É mesmo? Diga uma, por favor.
—Você é gentil, honesto, justo, e tem um grande coração.
— Pensei que não quisesse continuar sendo minha esposa — ele riu.
— Foi você quem sugeriu a anulação. Saiu correndo para providenciar tudo, e
depois voltou dizendo que não queria mais anular o casamento. Afinal, o que o fez mudar de idéia?
—Kevin. Ele me acusou de estar fugindo dos compromissos, e eu percebi que estava certo. Não suportava a idéia de ter outra Taylor em minha vida e enfrentar outra tragédia, e ainda não havia conseguido compreender que me sentia culpado por sua morte. Kevin disse que você é a mulher certa para mim, e ele está certo. Pelo menos não é possessiva.
Demetria sentiu vontade de rir. Que mulher não é possessiva quando está apaixonada? Joseph não queria uma mulher que o amasse. Queria alguém que o deixasse livre e independente, que não fizesse exigências, e por isso estava satisfeito.
— Mesmo assim, ainda acho que não vai dar certo — ela insistiu. — Você nunca vai esquecer que foi um casamento acidental, e vai me culpar pelo resto da vida. Foi o que fez há alguns minutos, quando estava furioso com Ashley.
—Você também vive me acusando pelas coisas que eu disse antes de partir para Jacobsville.
— Eu sei, mas há um outro problema. Somos duas pessoas completamente diferentes, e eu nunca vou me acostumar com o seu estilo requintado e com a vida em sociedade.
—Acha que não pode viver comigo como sou?
—Eu poderia viver com o gerente da fazenda, um trabalhador simples e dedicado. Fui criada para cozinhar, cuidar da casa e da família, e jamais deixarei de ser uma caipira. —Acha que eu sou o tipo de homem que passa as noites em festas?
— Você passou três anos vivendo de um jeito que não conhecia. Não sei nada sobre o que fazia antes de chegar à fazenda.
— E gostaria de saber? Poderíamos ir visitar minha família em Jacobsville,
Ela hesitou. Nick a intimidara, mas havia gostado muito de Kevin.
—Como é sua mãe? — quis saber.
— Ela é parecida com Kevin — Joseph sorriu. — É firme, alegre e agradável. Vai gostar muito de você.
—Nick não gostou de mim.
—Nick não gosta de nenhuma mulher. Apesar do rosto de anjo exterminador e do charme de um deus mitológico, é do tipo que odeia as mulheres.
—Então o problema não era comigo!
—Não. Acima de todas as mulheres, ele odeia mamãe. Por isso não mora na casa da família, como Kevin. Ele tem um apartamento em Houston, perto dos nossos escritórios.
Demetria gostaria de saber mais, mas aquele não era o melhor momento para tentar desvendar segredos de família.
—Teremos de dormir no mesmo quarto? — perguntou preocupada. Ele assumiu uma expressão séria:
— Sim.
—Cama de casal?
— Exatamente, Quer desistir?
Ela hesitou por alguns instantes, mas acabou negando com a cabeça. Amava- o intensamente, e se quisesse transformar aquele casamento numa união real e feliz, esse teria de ser o primeiro passo. Honestamente, não queria a anulação.
—Uma decisão corajosa — Joseph sorriu. — E se eu quiser algo mais do que dividir a cama?
—É inevitável, não? Se vamos permanecer casados...
—Não vou me contentar com um casamento platônico. Quero ter filhos.Demi, e você sabe disso.
Ela fitou-o nos olhos e viu ama ternura que a fez derreter.
— Também quero. Fico um pouco nervosa quando falamos sobre isso, porque a maioria das mulheres da minha idade já tem alguma experiência, enquanto eu...
—Não pode imaginar como isso me faz feliz. Fico emocionado cada vez que imagino nossa primeira vez.
Ela também gostava de imaginar como seria quando fizessem amor, mas não tinha coragem de admitir.
— Quando pretende ir visitar sua família? — perguntou, mudando de assunto.
—Amanhã. Mamãe quer conhecê-la, e ela vai gostar de saber que estou casado com alguém como você.
— Como se tivesse escolha... Oh, Joseph, sinto muito por ter metido você nessa encrenca! Eu não soube como evitar, e agora acho que Ashley teria sido muito melhor. —No seu lugar, Ashley estaria feliz por ter concretizado um plano perfeito, e certamente não estaria sofrendo com ataques de consciência.
— Tem certeza de que não quer a anulação? Pelo menos poderia escolher outra esposa... —Qual é o problema, Demi? É o veterinário cabeça de cocô?
— O que?
—Ele é apaixonado por você. Está insistindo na anulação por que quer casar-se com ele?
—Logan me pediu em casamento, mas...
— Mas você se casou comigo, e não quero mais ver aquele palhaço do Henderson por perto!
—Isso não é justo! Nosso casamento não é dos mais normais, mas não tem o direito de me acusar desse jeito! Eu levo meus votos a sério!
— Então prove!
— Provar?
— Sabe onde fica o alojamento — sorriu com malícia. Ela desviou os olhos, escondendo o rosto vermelho de raiva. Havia pedido mais tempo e ele concordara, mas agora voltava a pressioná-la. —Ainda está em dúvida? — Joseph perguntou. — Pois bem, podemos esperar mais um pouco. Mas vai dormir comigo quando formos visitar minha família, e não se esqueça que já deu sua palavra!
—Eu sei — admitiu com voz fraca. — Podemos ir?
Joseph pediu a conta e perguntou:
— Será sempre assim, não é? Você nunca vai me perdoar pelas coisas horríveis que eu disse quando descobri sobre o casamento.
—Você não disse nenhuma novidade, Joe. Eu sempre soube que não era seu tipo de mulher, e já havia dito que não tinha nada para me oferecer e que eu não devia me iludir.
Joseph suspirou. Havia fechado todas as portas, e agora não sabia como abri-las novamente. Tudo o que sabia era que, se perdesse Demi, sua vida perderia o sentido. Pagou a conta e levou-a para o carro sem dizer nada. O silêncio perdurou durante todo o trajeto até que, perto da fazenda, numa parte deserta da estrada de terra, ele parou o carro e desligou o motor. Demetria virou-se para encará-lo e, na escuridão, pôde vir o brilho intenso dos olhos negros e profundos.
—Está com medo? — ele perguntou.
— N... não.


"What you don't feel but you know you wanna"
"O que você não sente mas você sabe que quer"
"Find out how to crack me"
"Descobrir a forma de me invadir"
"Log in try to hack me"
"Faça o login e venha me hackear"

Ele soltou o cinto de segurança e inclinou-se para fazer o mesmo com o dela. Depois puxou-a para mais perto e, com firmeza, a fez recostar a cabeça em seu peito.
—Mentirosa — disse em voz baixa, acariciando seu rosto. — Está apavorada! O amor não é algo para se temer, Demi. É uma entrega total, uma forma de duas pessoas dividirem o que têm de mais íntimo.
Ele parecia mais gentil que nunca, e um pouco da apreensão que a incomodava desapareceu. Sonhara em estar nos braços dele, sentindo-se desejada e querida, mas haviam acontecido tantas coisas que agora o momento parecia irreal.
—Você realmente me quer? — perguntou insegura.
— Como você é inocente — riu.
Em seguida segurou sua mão e guiou-a para a parte mais íntima de seu corpo. Ouvindo sua exclamação assombrada, perguntou:
— Isso responde sua pergunta?



"Tell me what you got to break down the walls"
"Me diga o que você usa para quebrar as paredes"
"You just might need dynamite"
"Você só poderá necessitar de dinamite"
"Tell me what you got to break down the walls"
"Me diga o que você tem que quebrar as paredes"
"Kick senseless,my defenses"
"Insensata chutar minhas defesas"

Sentindo que ele não a deixaria afastar-se, Demetria desistiu de lutar, Sentir seu desejo a excitava, e de repente o corpo todo começou a reagir. Joseph percebeu e abraçou-a com força, sentindo-a estremecer em seus braços. Dominada pela paixão, ela o acariciou lentamente e percebeu que ele gostava, pois sua respiração tornara-se pesada e ofegante. — Você... gosta disso? — perguntou num sussurro envergonhado
—Muito... Não pare, por favor... — e beijou-a delicadamente nos lábios. O beijo tornou-se mais intenso e Demetria sentiu que ele deslizava uma das mãos sob o vestido, ao longo de sua perna. Lentamente, os dedos experientes foram descobrindo os segredos mais íntimos do corpo trêmulo e ela nem pensou em protestar, porque sentia-se arder de desejo e queria ainda mais. Joseph deslizou a outra mão até alcançar o zíper do vestido às suas costas, e em seguida abriu o fecho do sutiã que escondia os seios rijos e firmes. — Não tenha medo — sussurrou ao sentir que ela tentava contê-lo. — Só quero tocar você. As palavras a fizeram arrepiar-se e ela fitou-o nos olhos, enquanto o vestido escorregava sobre seus ombros e caía em torno da cintura. Joseph afastou-se um pouco e admirou a beleza de sua nudez sob a luz da lua. Depois de alguns instantes, acariciou as custas nuas e inclinou a cabeça, aproximando-se da pele clara e delicada.
—Você tem o perfume das flores — sussurrou, tocando sua pele com os lábios e excitando-se ainda mais com a reação dela. Sentindo o corpo reagir de maneira intensa e desconhecida, com espasmos quase dolorosos, ela agarrou-se aos cabelos negros e gemeu:
—Joe, por favor...
Mas o gemido o fez querer mais, e as carícias tornaram-se ainda mais sensuais e ardentes
—Você é tão doce — disse ele, sem afastar os lábios de sua pele.
Demetria respirava com dificuldade e gemia baixinho, o corpo trêmulo reagindo intensamente às sensações deliciosas que jamais havia experimentado. Surpreso com sua reação, Joseph tentou imaginar como seria quando estivessem sozinhos na cama, seu corpo nu sob o dele, e não pôde evitar um gemido de desespero. Sabia que não poderia conter-se por muito mais tempo e, por isso, afastou-se.
—Este não é o local adequado... — murmurou.
—Por que? Não há ninguém por perto...
—Não podemos arriscar. Alguém pode passar por aqui, e não quero que ninguém a veja nua... exceto eu. Quando chegar o momento, quero que seja numa cama, e não no banco de um carro.
—Joseph... é isso que as pessoas sentem quando fazem amor?
— É mais intenso — ele disse, abraçando-a e fazendo-a recostar a cabeça em seu peito. — Henderson já viu você assim?
—Não. Só você.
Ele beijou-a com ternura, afastou-a gentilmente e disse:
— Nós somos casados, meu bem, e não temos de ficar nos acariciando dentro de um carro, numa estrada escura. Vamos, deixe-me ajudá-la — e puxou o vestido de volta, fechando-o com cuidado. —Eu não queria parar, mas acho que devemos esperar mais um pouco. Vamos aproveitar o tempo para nos conhecermos melhor, antes de sermos consumidos pelo fogo desse desejo. Primeiro iremos visitar minha família e faremos algumas coisas juntos... e depois iremos para a cama.
Só teria de se conter para não pressioná-la, isso só podia significar que preocupava-se com ela.
Feliz como nunca, ela fitou-o nos olhos e disse:
—Eu prefiro assim também. Obrigada!
—Tudo bem. — ele sorriu, prendendo o cinto de segurança e ligando o motor.

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Gente ta aí o capítulo 9. hehe
Estou fazendo uma reforma no capítulo 10, e talvez poste ele daqui a pouco também rs.

Stay Strong!
XOXO
Bia.


Chapter eight.


Na manhã seguinte, Logan foi visitá-la e mostrou-se um pouco embaraçado por ela estar legalmente casada com Joseph.
Demetria havia dito que o casamento fora um engano, mas Joseph olhava para ele como se quisesse matá- lo com as próprias mãos. Confuso, o veterinário sugeriu:
—Vim ver se quer ir ao cinema amanhã... isto é, se Jonas não se importar.
Joseph aparecera pouco antes e estava sentado na sala como se fosse o dono da casa, olhando para o visitante com expressão aborrecida. Com voz firme, ele disse: 
—Demi é minha esposa, e mulheres casadas não vão ao cinema com outros homens. 
—Mas eu pensei que... Demi disse que... bem, que tudo não passava de um engano. 
— Pode ter começado mal, mas Demi e eu decidimos tentar salvar nosso casamento. Não é verdade, meu bem? 
Ela hesitou, pois sentia-se estranha desde o dia anterior, quando ele a beijara com paixão.
—Escute aqui, Jonas.... — começou.
—Joseph, meu bem — a corrigiu e virou-se para o veterinário. — Ultimamente ela tem tido alguns problemas de memória.
—Que absurdo! Eu nunca esqueço coisa alguma!
— Há poucos instantes você esqueceu que era casada. Não pode censurar um
homem por ficar preocupado quando a própria esposa esquece o casamento.
Mudando de assunto, Logan disse:
—Jonas, eu gostaria de dar uma olhada nos bezerros. Como está aquela vaca que teve problemas na semana passada?
—Melhor, mas gostaria de ter mais tempo para cuidar do gado. Temos vários animais doentes, e estou começando a ficar realmente preocupado.
—É bom verificar o pasto. Talvez estejam ingerindo alguma substância tóxica.
—Já pensei nisso, e também mandei verificar os tanques. Pode ser alguma coisa na água estocada.
—Agradeça a Deus por não estarmos perto das Montanhas Guadalupe, onde o sal está em todos os lugares.
—Eu agradeço todos os dias — disse Joe., levantando-se em seguida.
— Vou levá-lo ao curral. Vamos receber visitas e eu não tenho muito tempo, mas Zac está com os bezerros e pode ajudá-lo no que for necessário.
Assustada com a expressão que via no rosto dele, Demi levantou-se de um salto e disse;
—Vou com vocês.
Joseph fitou-a com ar de censura, mas não protestou.
Caminharam até o curral e Joe deixou Logan com um dos empregados. Em seguida segurou o braço da esposa e retirou-se, levando-a para a garagem perto do alojamento, onde costumava guardar o velho Ford.
—Onde vamos? — ela perguntou.
—Buscar meus irmãos no aeroporto. Esqueceu?
—Não sabia que ia com você. Não estou bem vestida e...
—Eu acho que está ótima — ele interrompeu, examinando-a com olhos brilhantes.
— Gosto quando deixa os cabelos soltos.
—Isso tem alguma importância? Afinal, meus cabelos não me tornam menos gorda...
Irritado, ele parou e a fez virar-se:
—De todas as coisas que disse, essa foi a pior. Gosto de você exatamente como é, e me arrependo de ter sido tão grosseiro. Eu queria magoá-la, mas agora conheço toda a história e gostaria que me perdoasse. Talvez as ferida cicatrizem com o tempo...
Triste, ela respondeu:
—Nós éramos amigos, e eu gostaria que tudo voltasse a ser como antes.
—Gostaria mesmo? — e puxou-a para mais perto. — Depois de ontem, duvido que um de nós possa satisfazer-se com uma simples amizade. Eu quero você, Demi.
— Também queria Ashley.
—Da mesma maneira que você queria Henderson? — provocou. — Que belo pretendente você arrumou. Bastou alguém bater o pé e ele saiu correndo sem sequer olhar para trás. No lugar dele, eu teria aberto a cabeça do rival com uma paulada.
—Por que tem de ser sempre tão violento?
— Foi só força de expressão. Você realmente queria aquele traste? — e aproximou-se lentamente, deslizando os lábios por seu pescoço.
—Joseph, por favor...
—Calma, meu bem. Eu sou seu marido.
As mãos dele deslizavam por seu corpo e alcançaram os seios, fazendo-a estremecer.
Atento às reações, Joe sussurrou:
—Mentirosa! Você nunca dormiu com Henderson. Nunca teve outro homem!
Demetria não foi capaz de negar, pois sentia-se dominada pelo prazer provocado por aquelas mãos. Joseph gostaria de passar o resto do dia assim, mostrando a ela os prazeres do amor e do desejo, mas olhou em volta e viu que os empregados começavam a voltar dos campos, e lembrou-se que os irmãos estariam no aeroporto em menos de meia hora.
Com voz rouca, murmurou:
— Vamos ter de deixar isso para mais tarde... — e beijou-a mais uma vez, acariciando seus seios com desejo.
—Oh, Joe!— ela gemeu, abraçando-o novamente.
— Não! — e segurou-a pela mão, puxando-a em direção ao carro —Temos de ir ao aeroporto.
Trêmula, Demetria imaginou se aquelas eram as sensações que alguém experimentava quando fazia amor. Sabia que devia haver muito mais, já que as roupas não ficavam no meio como um obstáculo indesejável, e suspirou ao pensar nas mãos dele sobre seu corpo nu.
—Entre, srta. Experiência — riu ele, abrindo a porta do carro.
Depois deu a volta, sentou-se diante do volante e perguntou:
— Por que mentiu para mim?
—Porque achei que ficaria menos vulnerável.
— Que bobagem!
—Não precisa rir de mim! O que posso fazer se sinto coisas que nunca senti antes?
—Não estou rindo de você. Caso ainda não tenha percebido, eu também fico maluco quando nos tocamos.
Curiosa e um pouco assustada, cravou os olhos em seu rosto e perguntou:
—O que você... o que acabou de fazer comigo... é isso que as pessoas sentem quando vão para a cama?
Com o coração disparado, Joeseph encarou-a e sugeriu:
— Por que não vai me visitar esta noite? Posso mostrar exatamente como é.
—Quer dizer... dormir com você?
—Já terminamos o inventário, e o alojamento está vazio. Você é minha esposa, e essa noite seria apenas a consumação da nossa união. Enquanto não dormir comigo, não estaremos legalmente casados. Sabia disso?
— Não. Ou melhor, sim... — gaguejou, tentando conter a vontade de aceitar o convite. Ele não a amava, e tinha de lembrar-se disso antes de entregar-se.
—Está com medo?
— Um pouco...
—Prometo que vou ser delicado.
— Vai doer...?
—Talvez, mas você não vai se importar com a dor.
— Então é assim...?
— É uma febre que queima com tanta intensidade, que a dor deixa de existir. E eu vou fazer você sentir tanto desejo, que não vai se importar com mais nada, a não ser comigo. — Mas Ashley...
Ele segurou seu rosto com as duas mãos e beijou-a na testa:
— Ashley era só uma diversão, uma companhia agradável e inocente. Eu nunca dormi com ela.
—Mas... aposto que teve vontade!
—Demi, talvez você não acredite, mas é que a culpa me fez fechar o coração para qualquer tipo de relacionamento. Nunca... nunca tive vontade de ter outra mulher desde que Taylor morreu. Até ontem...
— Você me quis...?
— Muito, e quero mais a cada dia — e puxou-a para mais perto, deixando os olhos vagarem por seu corpo. — Quer me dar um bebê?
Era a primeira vez que alguém lhe fazia essa pergunta.
Sentindo o corpo quente e sabendo que tinha o rosto vermelho, ela murmurou:
— Agora?
Ele riu:
— Se não quer ficar grávida, vou ter de tomar algumas precauções — explicou.
—Ah... Eu... bem, eu não sei.
As coisas estavam caminhando muito depressa, e ela sentia-se confusa.
—Não fique com essa cara. Eu não vou pressioná-la, nem obrigá-la a fazer nada que não queira. Temos a vida inteira pela frente, e se acha que precisa de mais tempo para se acostumar com a idéia, eu posso esperar.
— Joe — ela sorriu, fitando-o com carinho —, você é um homem maravilhoso.
—É o que estou tentando dizer. Infelizmente ainda não pude provar, mas sei que a oportunidade surgirá, mais cedo ou mais tarde. E meu nome é Jospeh.
—Eu sei — e estendeu a mão, hesitando antes de tocá-lo. Ele segurou os dedos delicados e levou-os ao próprio rosto, beijando-os delicadamente.
— Vamos dar um passo de cada vez — disse. — Sem pressa.
— Obrigada.
Bem humorado, Joseph sorriu e ligou o motor, enquanto ela prendia o cinto de segurança com expressão pensativa.
—Joseph, você... quer muito ter um filho, não é?
Ele fitou-a rapidamente. Demetria falava como se seu único interesse nela fosse pelo fato de poder dar-lhe um filho.
—Quero, mas não tenho pressa. Por que? Você não quer ser mãe?
—É claro que sim. Quero muito!
Feliz, Joseph foi invadido pela esperança de que um dia ela quisesse ter um filho seu por amá-lo.
Mas isso levaria tempo, e teria de ser paciente. Sem dizer mais nada, concentrou-se no volante. O aeroporto estava cheio e Demi agarrou-se ao braço do marido, temendo perder-se entre a multidão.
—Todos decidiram vir no mesmo dia — ele comentou, movendo-se com agilidade até alcançar a área de desembarque. Andava depressa, e as esporas emitiam seu som característico.
—Eu havia me esquecido de como era o som de um par de esporas. — disse ela.
— E eu me esqueci de tirá-las. Antigamente as esporas mexicanas eram tão grandes, que os vaqueiros tinham de tirá-las se quisessem andar. Não sei como os cavalos sobreviviam.
—Você usa esporas quando vai domesticar um cavalo.
—É verdade, mas você sabe que só uso um tipo especial que não fere os animais. Para um cavalo, é como sentir cócegas, e por isso eles pulam como doidos. Ei, lá estão eles! Nick! Kevin!
Dois homens muito parecidos com Joseph aproximaram-se. O mais alto vestia um terno escuro, combinando com o chapéu Stetson, e era forte sem ser gordo. Tinha olhos e cabelos negros. O outro era um pouco mais baixo e usava roupas menos formais, calça escura e camisa de algodão. Também possuía cabelos negros, mas os olhos eram mel. Joseph cumprimentou os dois irmãos e depois apresentou-os a Demi, cujo rosto pálido demonstrava o nervoso que sentia.
—Kevin, Nick, essa é Demetria, minha esposa — disse, pousando um braço sobre seus ombros.
— Ela é exatamente como você a descreveu — Nick comentou com tom seco, estendendo a mão para cumprimentá-la. — Se entendi bem, você é filha de um fazendeiro...
—Exatamente. Cresci entre os cavalos e o gado, mas tive de me contentar com algo mais simples. Nada de Santa Gertrudes — sorriu.
—Nós sentimos muito orgulho do nosso gado — Nick concordou.
— Especialmente do bom e velho Homem Vermelho.
— É o macho que deu início ao nosso rebanho — explicou Kevin, estendendo a mão com um sorriso simpático. — Você parece assustada! Não precisa ter medo, meu bem. Somos domesticados e vacinados.
Pela primeira vez, Demi relaxou e riu da piada.
—Fale por você — interferiu Nick com um brilho frio nos olhos. — No dia em que eu for domesticado, podem me enterrar.
—Nick é um solteiro convicto — riu Kevin.
—Olhe só quem fala — replicou o irmão.
—Que culpa eu tenho se as mulheres não sabem apreciar meu charme? Elas
só querem me usar para aproximar-se de você.
Demi riu, percebendo que eles eram muito diferentes do que havia imaginado.
Segurando o braço da esposa, Joseph indicou:
—Vamos, vocês podem brigar na fazenda.
—Pena ter encontrado Demi antes de nós — Nick brincou. — Eu sou muito melhor que ele, sabe? Ainda tenho todos os meus dentes.
—Isso é verdade — resmungou Nick. — Mas só porque arrancou dois dos de Joseph com um soco.
—Não é verdade. Eu arranquei três dentes dele — Joseph protestou.
—Bem, isso faz parte do passado — informou Kevin. — Agora somos mais civilizados. —Joseph não tem andado muito calmo — disse Demetria. — Na verdade, pensei que fosse me matar quando descobriu que estávamos casados.
—Bem feito! Quem mandou beber tanto? — disse Kevin. — Mamãe teria curado sua bebedeira com uma boa surra.
— É exatamente o que Demi prometeu fazer se isso voltar a acontecer — brincou Joseph. — Pelo visto, continua sendo inimigo do álcool, certo, Kevin?
— Ele leva essa história a extremos absurdos — Nick interferiu. — Justin e Selena Bieber nunca mais o convidarão para um jantar. Sabe o que ele fez? Levantou-se da mesa e levou o copo de vinho que o garçom serviu para a cozinha!
Joseph deu uma gargalhada:
—Justin também nunca gostou de bebida.
—É verdade — Nick concordou.
— Ele diz que não bebe para não dar mau exemplo aos filhos.
— O álcool é um veneno! — Kevin sentenciou quando chegaram ao carro.
—Meu pai vai gostar de você — Demi indicou com um sorriso.
Quando chegaram à fazenda, Eddie simpatizou com Kevin de imediato, mas parecia pouco à vontade com Nick.
Na verdade, Demi experimentava a mesma sensação. O irmão dos olhos mel falava e andava devagar, como se quisesse controlar uma agressividade exacerbada e explosiva. Enquanto os homens discutiam negócios, Demi preparou um almoço rápido, pois os dois irmãos não pretendiam demorar.
Tinham passagens no último vôo para Jacobsville, que partiria em duas horas. Demi não pôde acompanhar o marido ao aeroporto, pois recebeu um telefonema da empresa de El Paso no momento em que preparavam-se para sair. A recepcionista decidira retornar ao trabalho e infelizmente não poderiam contratá-la, mas prometeram que seria chamada assim que tivessem uma vaga. Sentia-se um pouco decepcionada, mas concluiu que havia sido melhor assim.
Quando desligou, Eddie a esperava ansioso.
— Vamos comprar um touro — disse. — Um dos filhos de Checker. Lembra- se do artigo que saiu sobre ele no jornal dos criadores de gado? O melhor reprodutor dos últimos tempos!
—E um representante de sua prole deve custar uma fortuna. Joseph vai pagar a conta novamente, não é?
—Ele é meu sócio, e está investindo na fazenda para que ela passe a dar lucros. Já discutimos sobre isso, lembra-se?
—É claro. O que achou dos irmãos dele?
—Kevin é simpático, e conhece números como ninguém. É o cérebro financeiro da família.
— E Nick?
— Nick é o tipo que nasceu para ser comandado. Não sei por que, mas tive a impressão de que é um péssimo inimigo para se conquistar. É educado, contido, mas percebi um espírito sombrio sob a superfície civilizada.
—Uma dor profunda e um ódio contido — Demi completou.
—Exatamente. Espero que possamos fazer todos os negócios com Kevin. Ele é mais parecido com Joseph.
—É verdade. E o outro irmão, como será?
— Pelo que entendi, também se parece com Joseph e Kevin. Nick é o único estranho, com aqueles olhos mel.
—Isso é comum. Lembra-se de tia Mattie? Era loura, e toda a família tinha cabelos negros e pele morena.
— É verdade.
Depois de alguns instantes. Demetria informou:
—Não consegui aquele emprego. A recepcionista antiga decidiu voltar.
—Por que não cuida dos livros e da datilografia da fazenda? Joseph disse que teríamos de manter a contabilidade em dia de agora em diante, e vai haver muita correspondência. Ele está pensando em contratar alguém para fazer o serviço, mas você sabe lidar com a máquina de escrever e é boa com os números. Podemos manter o negócio em família.
— Boa idéia.
—Converse com Joseph quando ele chegar.
Demetria limpou a cozinha e fez uma torta de maçã, e estava tirando a assadeira do forno quando Joseph chegou.
—Eles embarcaram na hora marcada? — perguntou.
— Pontualmente.
—Gostei dos seus irmãos.
— Eles também gostaram de você. Kevin ficou realmente impressionado.
—Kevin é muito simpático, mas Nick é... diferente.
—Mais do que você imagina — disse ele, aproximando-se e tocando os cabelos castanhos com doçura. — O que acha de sairmos para um cinema e um jantar esta noite?
—Tenho de preparar o jantar de papai.
—Podemos levá-lo conosco.
— Ele combinou um jogo de cartas com Dill, da fazenda vizinha. Acho que não vai se importar se eu deixar algo pronto no forno.
—Se tem certeza... Demi, o que acha de mudarmos para uma casa só nossa?
—Mas... e papai?
— Consuelo pode cozinhar e cuidar de tudo por um bom salário. Os Dobbs mudaram-se para o leste no mês passado e deixaram a casa que seu pai alugava para eles. Não é muito grande, mas seria perfeita para nós dois.
— Quer dizer... viver com você o tempo todo, inclusive à noite?
—O lugar de uma esposa é ao lado do marido.
—Mas você não queria uma esposa. Disse que...
— Já sei o que eu disse. Será que não pode entender que mudei de idéia?
—É que... bem, você não teve escolha com relação ao nosso casamento...
—É verdade, mas eu também não teria me casado com outra pessoa.
—Eu sei. Só gostaria que tivéssemos feito as coisas de uma maneira mais convencional. Terei sempre a impressão de que foi obrigado a aceitar uma relação que não queria. —Você também não queria. O melhor que temos a fazer agora é tentar reparar tudo isso. Uma anulação só traria infelicidade para todos, especialmente para o seu pai, e agora que somos sócios, a melhor maneira de firmar nossa união é concretizando este casamento.
—É isso mesmo que você quer, Joseph?
—É claro que sim.
Apesar de tudo, Demetria ainda não conseguia acreditar.
—Pode me dar mais algum tempo? — ela perguntou hesitante.
—Podemos adiar a mudança, mas vamos começar a fazer mais coisas juntos. Se não vamos morar na mesma casa, pelo menos em público agiremos como marido e mulher. Ela afirmou com a cabeça, mas depois lembrou-se de Ashley e ficou preocupada. Não sabia se Joseph já havia falado com ela sobre o casamento, e não acreditava no que ele dissera sobre aquela relação. Teria sido realmente um namoro inocente?

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YAY! Daqui a pouco eu posto o capítulo 9.

Stay Strong!
XOXO
Bia.



Chapter seven.


"He makes me wanna pull all my, hair out"
"Ele me faz querer puxar todos os meus, cabelos fora"

"She's always tryin'to save the day"
"Ela está sempre tentando salvar o dia"

"And I wouldn't change a thing"
"E eu não mudaria nada em você"

 Não era incomum Joe tomar o café da manhã com Demi e o pai, mas naquele dia ela surpreendeu-se ao vê-lo sentado à mesa quando desceu. Havia comida e o café estava pronto. 
—Surpresa? — Joe perguntou ao vê-la, os olhos vagando por seu corpo de maneira possessiva. — Pensou que os homens fossem inúteis, não é?
Ela olhou em volta, como se procurasse a pessoa com quem ele falava.
—Engraçadinha! Sente-se e coma, antes que os ovos esfriem.
Demetria sentou-se e observou os trajes do pai, um terno escuro e formal.
—Vai a algum lugar? — perguntou, os olhos fixos no rosto de Eddie.
—Vou ao banco pagar a hipoteca da fazenda.
—Pagar com o quê?
—Podemos falar sobre isso mais tarde — Joseph interferiu. — Coma seus ovos. 
— Com o que, papai? — ela insistiu, como se não houvesse mais ninguém na sala. Vendo que ele olhava para Joe com ar culpado, explodiu: 
— VOCÊ CONCORDOU! ACEITOU O DINHEIRO DELE PARA PAGAR A HIPOTECA! 
—Ele é meu sogro, Demi, além de sócio. Já estamos cuidando da documentação. Seu pai vai cuidar disso enquanto estiver na cidade.
 — Você não vai com ele? 
—Não. Vamos receber um carregamento de gado, e alguém tem de ficar aqui para verificar a entrega. 
— Gado novo? 
— Compramos alguns bezerros para aumentar o rebanho — Joe explicou. — E também vamos comprar dois touros Santa Gertrudes. Meus irmãos chegam amanhã. 
— Há mais gente como você? — perguntou, disposta a ofendê-lo e fingindo não lembrar o que ele falara sobre a família na noite anterior. 
— Mais três. 
—Deus nos ajude! São casados? 
— Só um deles, o mais novo. Os outros dois ainda são solteiros, mas não fique animada. Você já tem um marido. 
— Só enquanto não conseguir sua assinatura naquele documento. 
— Pode esquecer.
—Não podemos deixar as discussões para mais tarde? — pediu Eddie. — Quero tomar meu café em paz. 
—Ele tem razão. Coma, Demi. 
Demetria espalhou um pouco de molho picante sobre os ovos fritos e teve de admitir que estavam deliciosos, como o bacon e os biscoitos. Sabia que Joseph era capaz de fazer a própria comida, mas aquela refeição estava muito além de suas expectativas. 
—Você fez tudo isso sozinho? — perguntou desconfiada. 
— Não. 
— Foi Consuelo — explicou Eddie. — Pensamos que você gostaria de dormir até mais tarde depois daquela noite excitante. 
— Excitante? Maluca, você quer dizer! Primeiro ele quer a anulação imediata, e agora não quer mais! 
—Vamos dizer que eu readquiri o bom senso — riu Joseph, saboreando a refeição. — Sei reconhecer qualidades quando as encontro.
Com o coração disparado, Demetria disse a si mesma que não merecia o que ele estava fazendo. 
— Por que precisa de mim para proteger-se de possíveis noivas? — perguntou. 
—Porque vou abrir uma pequena filial dos negócios da família aqui — ele respondeu. — Muitas pessoas conhecem a extensão das propriedades dos Jonas no sul do Texas, e logo a população de El Paso saberá a verdade a meu respeito. É aí que você entra. Quando as caçadoras de dote começarem a me importunar, só terei de mostrar minha doce e pequena esposa para afastá- las.
—Eu não sou doce e nem pequena. Sou baixinha e gorda, como você mesmo disse. 
—Eu disse muitas coisas das quais já me arrependi. Vai passar os próximos vinte anos me acusando delas sempre que ficar nervosa? 
Ela tentou encará-lo, mas não suportou a intensidade de seu olhar e abaixou a cabeça.
— Você disse que não queria se casar novamente — resmungou.
—Eu sei, mas agora isso já é um fato consumado.
Infeliz, fitou o rosto másculo e os lábios firmes e insinuantes. Sempre havia imaginado como seria sentir aqueles lábios nos seus mas, em três anos, ele nunca a beijara. Sonhara com aqueles braços em torno de seu corpo e com o prazer de ser beijada por ele num momento de paixão febril, mas não era o tipo de mulher que inspirava paixão nos homens. Ashley era esse tipo de mulher.
Ashley. Ao pensar nela, experimentou uma nova onda de desconforto. Podia imaginar o que Joe vira nela, e gostaria de saber se ele pretendia manter aquele relacionamento. 
O casamento não era verdadeiro, e ele poderia dizer que uma esposa como ela não tinha o direito de fazer exigências. Estavam casados apenas no papel. Havia perdido o apetite e, por isso, deixou o garfo sobre o prato. Se pelo menos ele a amasse. Se houvesse se casado por vontade própria, e não por causa de uma bebedeira... 
—O que foi agora? — perguntou Eddie. notando a mudança de expressão no rosto da filha. — Parece que está vivendo o fim do mundo!
—Eu não dormi bem — ela respondeu.
— Estava sonhando comigo? — Joseph perguntou com um sorriso.
—Não seja ridículo!
—Pode lutar, Demi — disse Joe, assumindo uma expressão séria. — Lute enquanto aguentar, mas eu vou vencer, e você sabe disso — e levantou-se. Demetria não conseguia entender a súbita mudança de atitude, e estava tão confusa que não soube o que dizer. Fitou-o com expressão angustiada e, em silêncio, tentou interpretar o sorriso em seus lábios. 
—Sei que está confusa — ele disse — mas é só uma questão de tempo. Vai acabar se acostumando com a idéia. Nos vemos mais tarde, Eddie — e pôs o chapéu na cabeça. 
Virando-se para Demi, convidou: 
— Por que não vai ver a chegada dos novos bezerros? - Era a primeira vez que falava naquele tom de voz desde que soubera do casamento. Era como se quisesse realmente tê-la por perto, e ela não soube o que dizer.
Joseph concluiu:
—Se decidir aparecer, sabe onde me encontrar.
Ele saiu e Demi olhou para o pai com olhos tristes.
—O que está acontecendo? — perguntou.
—Não sei, filha, mas é óbvio que ele não vai mudar de idéia. Por um lado, estou muito satisfeito com a situação, porque estas terras pertencem à nossa família desde o fim da Guerra Civil, e seria terrível perdê-las por causa da minha incompetência nos negócios. 
Demi sabia o quanto a fazenda era importante para o pai, e sentiu-se culpada por criar obstáculos quando Joe era a solução para todos os problemas. 
—O que acha realmente de tudo isso? — Eddie perguntou com interesse. 
—Não sei, mas estou preocupada. Ele anda muito gentil para alguém que agiu como um louco quando soube que estava casado.
—Ele passou alguns dias longe, e pode ter mudado de idéia. 
Demetria pensou no que Joseph havia dito sobre a esposa e duvidou. Dissera que gostaria de ter filhos, e sabia que Ashley não os queria. Talvez estivesse pensando no quanto seria fácil transformar Demi na esposa que desejava, dona- de-casa, mãe e cozinheira, alguém capaz de cuidar de tudo enquanto ele trabalhava e alguém de quem poderia afastar-se sem ser ferido, caso o casamento fracassasse. Sabia que ele não a amava, e também não tinha certeza sobre o desejo que ele havia insinuado. Talvez fosse apenas um jogo... e Joe certamente seria o vencedor. Vendo que ela tinha o cenho franzido,Eddie comentou: 
—Você está se preocupando por antecipação novamente. Pare com isso, Demi! Viva um dia de cada vez e espere para ver o que acontece. 
Ela pensou em discordar, mas teve de admitir que o pai estava certo. 
— Tem razão — respondeu. 
Em seguida informou: 
— Eu arrumei um emprego. 
— Você o que? 
—Arrumei um emprego. Ou melhor, acho que arrumei. Havia uma vaga para recepcionista em El Paso e eu fui aceita, mas só serei realmente contratada se a funcionária antiga não quiser retornar. Algum problema? 
—Você já tem muito o que fazer aqui. Se for trabalhar fora, quem vai fazer minhas tortas e cuidar da casa? 
—Papai, eu não posso ficar em casa para sempre! 
—Poderia, se levasse esse casamento a sério. Joseph é um bom homem, e rico, bonito, inteligente... 
— Cabeça dura, autoritário, explosivo... 
—... e o melhor de tudo, ele quer filhos. Eu gosto de crianças, e nada me faria mais feliz que uma casa cheia de netos. 
—Quando eu me livrar do Jonas e me casar com Logan, você terá vários. Todos morenos de olhos castanhos — riu. 
—Não quero netos de olhos castanhos! 
—Que pena! E eu não quero passar o resto da vida livrando o Jonas das caça dotes! 
—Já pensou que ele pode ter outras razões para querer você ao lado dele? Razões mais pessoais... 
—Está pensando na esposa dele e no bebê? 
— Exatamente. Deve ter sido difícil para ele perder a esposa e descobrir que estava grávida. Eu posso entendê-lo, filha, porque sei tudo sobre culpa. Passei anos deixando o remorso me destruir depois daquela noite em que bebi e provoquei o acidente que matou sua mae.Finalmente aprendi que não se pode viver no passado. Ele também vai aprender, e talvez já esteja pronto para começar a lição. 
—Talvez, mas não é o bastante. Não quero ser só um bálsamo para as cicatrizes que ele carrega do passado. Quero ser amada, desejada e respeitada. 
— Nós dois sabemos que ele precisa de você. Passamos três anos comprovando isso. 
—É claro! A boa e velha Demi, livrando-o dos problemas e garantindo seu conforto, cuidando de suas roupas, da comida... Não é isso que ele precisa, papai. Joseph precisa de uma mulher a quem possa amar, e Ashley seria uma escolha muito mais adequada. Pelo menos já têm um relacionamento, enquanto nós... — e abaixou a cabeça. — Ele nunca me beijou. 
—Então por que não repara esse erro? Só para comparar as amostras... 
—Não quero beijá-lo, papai... 
—Não pode saber o que está perdendo enquanto não experimentar. Você vive como uma santa, filha! Apesar dos esforços do veterinário cabeça de cocô... 
—Você não disse isso a Joseph! 
— Ele concluiu sozinho. Joseph é um homem esperto, e qualquer um pode perceber que você é uma menina inocente. Fica vermelha com muita facilidade. 
—Pois então vou cobrir o rosto com pó de arroz, usar uma venda nos olhos! Homens! 
—Filha, nós só queremos o melhor para você. 
—E o fato de Joseph poder tirar a fazenda do buraco torna tudo mais interessante, não é? 
— Não vou negar. Lutamos muito para desistir agora, e esta casa está cheia de história e tradição. Gostaria que seus filhos pudessem herdá-la. 
Triste, Demetria tocou a mão do pai e tentou sorrir. 
—Eu entendo... Mas casamento já é difícil para duas pessoas que se amam, e quando não há amor... 
—E quem disse que não há? Eu vejo como ele olha para você, e como fica agitada quando ele aparece. Joseph só não enxerga a verdade porque não está olhando para ela. Mas a verdade é que ele não quer anular o casamento, e isso é um bom sinal. 
—Ele não quer a anulação por outros motivos. Será que não entende, papai? Qualquer mulher serviria! 
—Não acredito — e olhou para o relógio. — E também não tenho mais tempo para discutir esse assunto. Não se preocupe comigo, porque não devo voltar para o almoço. Mas Joseph disse que viria almoçar...
—Vou deixar alguma coisa no forno.
—Isso é maneira de tratar o homem que tirou seu pai do desespero?
—Acho que não. Vou tentar demonstrar minha gratidão — e levantou-se, recolhendo os pratos da mesa. — E agora, se me der licença, tenho muito o que fazer. E não vou desistir daquele emprego, ouviu? Se eles me quiserem, começarei na segunda-feira. 
Eddie levantou-se e dirigiu-se à porta, sem dizer mais nada. Demi lavou a louça e limpou a casa, mas não conseguiu tirar Joseph da cabeça nem por um instante. Ele a convidara para assistir à chegada dos novos bezerros, e não havia razão para deixar de fazer algo que sempre a encantara. Por isso, terminou as tarefas e foi buscar um cavalo para ir ao pasto, por onde o gado entraria na fazenda. O gado estava sendo descarregado dos enormes caminhões utilizados para o transporte, e Joseph estava parado ao lado de um deles, supervisionando a operação. 
Devia ter sentido sua aproximação, porque virou-se e, mesmo distante, ela pôde ver o sorriso que estampou-se em seus lábios. Rápido, disse alguma coisa aos peões e caminhou em sua direção, forte e ereto, o tipo de homem com que todas as mulheres sonhavam. Inclusive ela... 
—Então decidiu vir — ele disse. — Não vai desmontar? 
Demetria escorregou da sela e seguiu caminhando ao lado dele, puxando o animal pelas rédeas. 
— É muito gado — comentou ela, enquanto Joseph amarrava o cavalo na cerca, perto dos caminhões. 
—Hoje em dia nenhuma fazenda progride sem uma boa quantidade de gado, especialmente em propriedades onde os donos decidem ignorar os atalhos. 
— Atalhos? 
—Implantes de hormônio, super vitaminas, esse tipo de coisas. 
— Ah! Eu li o boletim de mercado e soube que alguns fazendeiros estrangeiros estão se recusando a importar gado, porque têm medo das conseqüências dos implantes de hormônios. 
— O hormônio faz o gado crescer mais depressa, mas as pessoas estão adquirindo maior consciência sobre a própria saúde. Temos de conseguir o bife macio de uma maneira mais natural, ou não atenderemos às exigências do mercado. Até os pesticidas estão sendo discutidos. 
—Sem mencionar o ferro de marcar... 
—Isso é necessário. Uma marca feita a frio duraria no máximo um ano, e as etiquetas podem ser facilmente removidas. O ferro quente é a única maneira de um fazendeiro proteger seu investimento e reconhecer os próprios animais, sem transformar-se numa vítima fácil dos ladrões. 
— Acha que ainda temos de nos preocupar com ladrões de gado? 
—Você sabe tão bem quanto eu que roubar gado é um negócio lucrativo. A situação é difícil, Demi. Algum dia as pessoas terão de conformar-se com pílulas de comida, mas enquanto isso não acontecer e ainda quiserem um bom bife suculento, nós criadores temos de fazer concessões. 
—Eu ainda acho que não deviam torturar os animais sem necessidade, por pura curiosidade ou para fazer cosméticos mais modernos.
—Você e seu coração mole. Houve época em que as crianças morriam aos milhares, atingidas por uma infinidade de doenças incuráveis. Como acha que os pesquisadores encontraram a cura para todas essas enfermidades? 
—Usando animais em suas experiências, acho. 
—Exatamente. E há cerca de cem anos, quem não fosse capaz de matar um animal acabava morrendo de fome. Crueldade faz parte da vida, Demi, e o ser humano não passa de um grande predador. Experimente deixar um homem faminto num ambiente primitivo, e ele não hesitará em matar para comer. 
—Não podemos falar sobre algo menos violento? Seus irmãos, por exemplo. Eles são como você? 
— Kevin, o mais velho, é o que mais se parece comigo, embora seja mais reservado. Nick é o mais próximo de mim com relação à idade, mas tem olhos mel. Frankie é o mais novo, e casou-se pouco antes de eu vir para cá. O nome de sua esposa é Meddie, e é uma boa garota. 
—Seus pais ainda estão vivos? 
—Papai morreu quando ainda éramos garotos, mas mamãe está mais forte que nunca. O nome dela é Denise. — e cravou os olhos em seu rosto. — Se um dia eu tiver uma filha, quero que ela tenha o mesmo nome da avó. Mamãe é uma mulher especial, cheia de coragem e amor pela vida. Ela é parecida com você, Demetria Devonne Jonas. 
De cabeça baixa, tentando esconder a perturbação provocada pela proximidade entre eles, Demi respondeu: 
—Não serei uma Jonas por muito tempo. 
— Enquanto eu quiser. Casamento não é uma coisa que se desfaz facilmente, e se não queria ser minha esposa, devia ter dito isso antes de entrarmos naquela capela em Juárez. 
Ele estava certo, mas não podia admitir uma derrota. Demetria pôs as mãos nos bolsos para ocultar o tremor e cravou os olhos no peito forte e musculoso coberto pela camisa azul. Era estranho, mas não conseguia evitar as imagens sensuais que invadiram seu cérebro.
Sorrindo com ar malicioso, Joe perguntou:
—O que foi? Quer que eu tire a camisa?
Com o coração aos pulos, ela olhou na direção do gado que continuava sendo descarregado e gaguejou:
—Arght! Vá se ferrar.
—Você estava me despindo com os olhos, e não tem do que envergonhar-se.Somos casados, e tem o direito de me tocar quando quiser.
Demetria tentou afastar-se, mas ele tocou-a delicadamente no braço e disse: 
—Não fuja de mim, Demi. Já é hora de encarar a realidade da nossa situação. 
— Nossa situação seria rapidamente solucionada se você concordasse com a anulação. 
Joe tocou-a no queixo e a fez encará-lo, e ela viu um novo brilho em seus olhos escuros e profundos. 
— Anulação é para casais que não sabem resolver seus problemas. Nós dois vamos dar uma chance a esse casamento, e vamos começar agora. 
—Nós não... Joe! 
O beijo silenciou seu grito assustado. Ela debateu-se, mas Joe abraçou-a com força e venceu a resistência com o calor do próprio corpo. Lentamente, Demetria tomou consciência dos ombros musculosos sob suas mãos, da respiração ofegante e das emoções estranhas que a invadiam. De repente perdeu a capacidade de perceber outras sensações, como o sol quente sobre a cabeça, o barulho do gado e dos peões e o cheiro de poeira. Depois de hesitar alguns instantes, compreendeu que era inútil resistir e abraçou-o, sentindo que ele correspondia com alegria. Ao sentir que havia vencido suas resistências, Joe afastou-se um pouco para fitá-la nos olhos e o prazer que viu neles aumentou seu desejo. Ofegante, ela sussurrou: 
— Os empregados... 
—Eles não podem nos ver. Por que não me abraça novamente? 
Demi fez como ele dizia, entregando-se às novas sensações. Com as mãos espalmadas em seu peito, percebeu o quanto combinavam, apesar da diferença de estatura. 
— Beije-me, sra. Jonas — ele sussurrou, deslizando as mãos por suas costas.
Trêmula, ergueu-se na ponta dos pés e rendeu-se ao prazer de estar nos braços do homem amado. Depois de alguns instantes ele afastou-se, sorriu e disse: 
—
Hora e local errados — e respirou fundo, olhando para o caminhão que começara a descarregar mais bezerros. 
— Agora sei que você também me quer, e isso já é um bom começo. Sabe como é produzida a raça Santa Gertrudes? — e, como se nada houvesse acontecido, passou a falar sobre os diversos tipos de gado. 
Demetria ouvia com atenção, apesar do corpo ardente e inquieto. Ele sorria com tanta ternura, que era impossível desviar os olhos de seu rosto. Era como se houvessem atravessado uma ponte sem retorno, rumo ao futuro, e uma nova onda de esperança aqueceu seu coração ferido. Enquanto cavalgava de volta para casa. 
Demi ia pensando em como tudo mudara de repente, e tentava imaginar onde a mudança os levaria. Em determinado instante virou-se sobre a sela e viu a silhueta forte e imponente de Joseph, e pensou em como seria um filho deles. Envergonhada, virou-se rapidamente, como se ele pudesse ver seu rosto vermelho de onde estava. Haveria muito tempo para esse tipo de curiosidade mais tarde, se e quando as coisas dessem certo entre ambos.

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Hey! Como vocês estão? Hoje fiz 2 provas, de inglês e de história, tenho certeza que fui muito melhor em inglês do que história... anyway.
Bom, eu to postando o capítulo 7 agora aqui e acho que vou postar mais dois ainda hoje, só que mais tarde porque eu tenho treino de volêi agora, então mais de noitezinha eu posto. Quero terminar de postar essa fic antes de viajar semana que vem, já que ela tem apenas 12 capítulos. É seu sei que são poucos capítulos, mas os capítulos são meio grandinhos né?!... Eu acho. 
De qualquer jeito. Até quinta-feira (19-04) da semana que vem eu termino essa fic.
Ah! E Lau sua loca, seus comentários eu não vou nem comentar né?!( ta fico meio estranho essa frase, mas que seja... vocês entenderam. Haha) E não vou mais te enviar os capítulos por e-mail, porque se não vai perder a graça RUN. haha 

Stay Strong!
XOXO
Bia.